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XI Jornada de Integração ADI-SC
Jornada de Debates Do papel à Multiplataforma

O evento realizado pela ADI-SC contou com a participação de dois palestrantes reconhecidos nacionalmente. Saiba quem são os palestrantes, o tema desenvolvido por cada um, o que eles pensam e o que sugeriram durante a Jornada de Debates - Do Papel à Multiplataforma.

RasquilhaLuís Rasquilha

presidente do Grupo Inova Consulting, tem formação em Comunicação, Marketing, Administração, Empreendedorismo e Gestão da Inovação, Criatividade e Design Thinking. Acumula mais de 20 anos de experiência em consultoria nas áreas de comunicação, marketing, estratégia, futuro, tendências e inovação, com atuação na Europa, Estados Unidos, países da África e da América do Sul. Professor convidado em Universidades e Business Schools em Portugal, onde nasceu, França, Bélgica, Holanda e Brasil. Autor e co-autor de 20 livros técnicos sobre Marketing, Comunicação, Branding, Futuro, Tendências e Inovação.

Rasquilha começou sua palestra sobre Viagem ao Futuro – As Megatendências e os Drivers de Mudança, afirmando que, atualmente, com todas as possibilidades de conexão, tecnologia e velocidade de transmissão de conhecimento, tudo o que se prevê tem um nível de acerto próximo de 98%. E já provocou os presentes: “Dirigir uma empresa deveria ser como dirigir um carro, olhando 90% para frente e 10% pelos retrovisores. Na realidade, o que acontece é o contrário – estamos muito pouco treinados para entender o que vem pela frente”.

Segundo ele, a humanidade vive a maior transformação de sua história, proces­so no qual está passando de um mundo estável e linear para um mundo extrema­mente imprevisível no sentido em que a forma como fazer negócios hoje não tem nada a ver com a forma como acontecia há dez anos. “E na próxima década, tudo aquilo que sabemos sobre negócios estará mudado. Vamos ter uma nova realidade e essa nova realidade já acontece nas gerações que estão chegando, nos chamados nativos digitais.”

O consultor rechaçou o excesso de preocupação com a crise e impactou o pú­blico presente ao manifestar que não gosta sequer de usar a palavra. “Todos fa­lam que o mundo está parado por causa da crise, mas, em apenas um minuto da internet acontecem 700 mil logins no Facebook, 20 milhões de visualizações no YouTube, 970 mil likes ou dislikes no Tinder (aplicativo para relacionamento), 2,4 milhões de pesquisas no Google, das quais 20% nunca haviam sido feitas antes, 38 mil horas, somadas, no Spotify (serviço digital para músicas), 38 mil posts no Instagram e 340 mil no Twitter, 120 mil novas contas no LinkedIn, 20 milhões de mensagens no Whatsapp, 70 mil horas, somadas, no Netflix, 200 mil dólares ven­didos pela Amazon e 1.389 viagens pelo Uber. Onde é que o mundo está parado?! Só na nossa cabeça ou no contágio que a palavra crise provoca!”

Para o palestrante, o grande desafio que é o da adaptabilidade e olhar para o futuro com olhos mais criativos, o que chamou de olhos de upgrade. “Inclusive as pessoas sobre si mesmas. As profissões operacionais vão desaparecer, serão substi­tuídas por máquinas, mas as intelectuais serão valorizadas. O desafio que temos é trazer as novas soluções como aliadas e não como ameaças.”

Ao falar sobre os Cinco Pilares de Transformação - Tecnologia, Globalização/Conexão, Demografia/Longevidade, Recursos/Sustentabilidade e Crowd, ou força da sociedade -, afirmou que é preciso ter coragem de querer pensar diferente, de correr riscos, mesmo calculados, e sair da inércia. “Quem não se atualizar estará fora do mercado.”

Falando a um público formado em grande parte por jornalistas e empresários do setor, ensinou: “Credibilidade é um fator crítico, especialmente por conta da quantidade de lixo que as redes sociais divulgam sem qualquer verificação. Isso traz a necessidade de curadoria. Os jornais sempre foram e serão cada vez mais o filtro da informação com credibilidade. Isso exigirá atualização permanente e em tempo real, banco de dados, tratamento da informação para adequar à demanda de quem consome.”

Ao defender que o profissional do Jornalista deve ser um curador, um articula­dor e um ser mais criativo, não apenas um transmissor de informações, reforçou que 2020 vai ser um ano crítico no processo de mudanças radicais que o mundo está atravessando. Para sobreviver a esse processo, o empresário, de qualquer se­tor, mas principalmente o da comunicação, que sofre a maior pressão por mudan­ças, deve ter em mente oito necessidades: ter um propósito claro, vender sonhos, focar em nichos de alto valor agregado, criar um ecossistema, interagir com a comunidade, testar, tendo a liberdade de errar e aprender com o erro, olhar para frente, reinventar-se permanentemente e adotar a inovação estratégica – ideia nova em ação.

 

Fred PachecoPacheco

graduado em Propaganda e Marketing pela Universidade Federal Fluminense (RJ), mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo e acumula MBA Internacional em Business pela Ohio University, em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas e em Gestão de Pessoas pela UniÍtalo. Tem mais de 20 anos no mercado de marketing e nos últimos cinco anos atuou como consultor digital para o Grupo Itaú-Unibanco. Já ocupou cargos executivos em empresas como Boo-Box Mídia Social, Predicta Mídia Digital e Michelin Brasil. É consultor especializado em Estratégia Digital e Presença em Redes Sociais.

Pacheco começou sua participação, falando sobre “A importância de Manuten­ção da Credibilidade e Imagem do Jornal Frente às Tendências dos Canais Digi­tais”, declarando que os três grandes componentes da publicidade no futuro serão tecnologia, dados e conteúdo. E completou dizendo que os jornais têm importância chave nesse tripé, porque já produzem conteúdo. “Mas é preciso saber aproveitar essa oportunidade”, apontou.

O exemplo para “aproveitar as oportunidades” veio das redes sociais. Ele apre­sentou uma tela de Twitter que rapidamente mudava conforme a população dos Es­tados Unidos era impactada por um terremoto que atravessou o país. O fenômeno começou na costa Oeste e levou apenas 30 segundos para correr até a costa Oeste do país. Tempo suficiente para boa parte da população do Oeste já saber o que esperar. “Boa parte das notícias requerem agilidade e por isso os novos canais de notícias estão conquistando espaços.”

Por isso mesmo, explicou, o desafio está em saber transformar em fontes de maté­rias as informações desestruturadas que aparecem nas redes sociais. “Foi o Twitter que deu o furo da queda do avião de Eduardo Campos, em 2014, no litoral paulista. As pessoas que estavam próximas ao local deram as primeiras informações. Orga­nizar essas informações e aprofundar o assunto coube às equipes de reportagem. E já existem ferramentas tecnológicas que avisam ao editor quando ocorre uma movimentação fora do normal nas redes sociais.”

O especialista em mídias digitais disse que os canais digitais deram às pessoas a possibilidade de participar do momento. Por isso, defendeu, não basta contratar pessoas com conhecimento de tecnologia para aproveitar esse movimento. “Temos que promover uma aproximação com essas pessoas e isso é trabalho do jornalista, do editor, do jornal e da marca que reúne cada um desses elementos.”

Um estudo apresentado por Pacheco apontou que as pessoas usam as redes so­ciais porque querem se aproximar de outras pessoas, mas a maioria indica três mo­tivações que podem ser respondidas pelos veículos de comunicação: ficar por dentro das novidades, compartilhar experiências e conversar sobre notícias. “O grande de­safio é usar bem as redes sociais de forma que isso aconteça nos espaços da nossa empresa de comunicação. Abrir espaço para o cidadão ser repórter é uma alterna­tiva de interação, porque cria uma ampliação sem precedente da capacidade de cobertura do jornal.”

Entretanto, alertou que deve haver uma cuidadosa curadoria do conteúdo rece­bido e que esta função, a curadoria, é o futuro do jornalismo. “Já que todos os lei­tores têm acesso a todos os veículos ao mesmo tempo, tenho que trazer diferenciais para o meu veículo. Posso usar minha equipe para algo que seja só da minha cidade, minha região e fazer disso o meu diferencial.”

Para o consultor, as redes sociais também ampliam o espaço dos veículos de co­municação. Papel e tinta não são mais limitadores; programas de rádio transmitem ao vivo pelo YouTube e as TVs transmitem ao vivo pela internet, mesmo quando não conseguem fazer o mesmo em seus canais formais. Explicou que há uma mu­dança de paradigma, uma quebra de barreiras, e que os veículos de comunicação precisam se apropriar de outras linguagens para expandir esse espaço. “Por outro lado, há pesquisas que mostram que quem busca informação confiável ainda procu­ra o jornal para isso. No Brasil, 10 milhões de exemplares de jornais impressos cir­culam diariamente, o que dá 80 milhões de brasileiros sendo impactados de alguma forma por jornais impressos ou digitais.”

Além disso, 62% dos leitores dos jornais não fazem outra atividade enquanto estão lendo jornal. “Provavelmente é o único canal que permite isso: atenção total. Pesa muito aí a maior força que os jornais detêm: a credibilidade na produção de conteúdo. Boa parte do que é divulgado nas redes sociais é falso e gera bolhas de percepção. Já o bom jornalismo tem como função expor as pessoas a todos os lados da informação, a outras pessoas, outras opiniões, outras visões de um mesmo fato.